21 de fev. de 2011

Erros em livros didáticos


O texto de um livro didático tem por objetivo sintetizar, da melhor forma, um assunto dentro de determinada área do conhecimento, adaptando-se sempre ao nível de compreensão dos alunos que vão utilizá-lo.
Mas, por mais que haja essa preocupação com a qualidade do material que se produz, seja a riqueza de seu conteúdo, seja a adequação de sua linguagem, não é difícil encontrar-se livros didáticos com erros ortográficos, de concordância, e até, muitas vezes, erros de informação. Isto é, um tipo de erro que poderia ser evitado com a revisão de livros didáticos.
veja.abril.com.br
Há pouco tempo, os livros didáticos passam por avaliações do Ministério da Educação, a partir de determinados critérios. Muitos dos livros didáticos acabam sendo reprovados pelo ministério por conta de linguagem inadequada, da pobreza visual e de informações desatualizadas. Por mais cuidadosa que seja a produção do material, é imprescindível que haja a revisão dos livros didáticos na sua finalização.
Revisão de livros didáticos: a coerência do conteúdo
Além do mais, como são produzidos em capítulos, em blocos de temas, é necessário que haja complementaridade entre um assunto e outro, há que se garantir a continuidade da linguagem, das tarefas propostas, da linha de raciocínio. Fatores que podem ser alcançados com a revisão de livros didáticos. Afinal, por ser escrito por dois ou mais autores, muitas vezes, esses detalhes passam despercebidos, comprometendo a originalidade e a qualidade do material.
E como nessas publicações a qualidade deve ser prioritária, todo e qualquer detalhe é importante e deve ser cuidadosamente analisado. A formação dos estudantes é algo de extrema importância, e um autor não pode correr o risco de deixar passar erros no material que produziu. O erro não intencional, é claro, mas um autor pode ficar associado a ele, pela falta de algo simples e necessário como a revisão de livros didáticos.

Curiosidade sobre o ano letivo em diversos países


Já pensou em fazer um intercâmbio, indo estudar em outro país e conhecendo novas culturas? Não? Pois agora você pode imaginar como seria essa experiência. Países de língua inglesa costumam ser destinos preferidos de intercambistas. Veja como funciona o ano letivo em alguns deles.

Austrália
Ano letivo
 É equivalente ao brasileiro, com início no final de janeiro e término no início de dezembro, sendo dividido em quatro termos: 
1º Termo - Janeiro/ Fevereiro a Março/ Abril
2º Termo - Abril a Junho/ Julho
3º Termo - Julho a Setembro
4º Termo - Outubro a Novembro/ Dezembro

Canadá
Ano letivo Começa no início de setembro e termina no fim de junho. Durante o ano, além das férias de verão, que vão de junho a setembro, existem dois intervalos de 2 semanas, um no Natal e outro em março. 
1º Semestre - Setembro a Janeiro
2º Semestre - Janeiro a Junho

EUA
Ano letivo Começa em agosto e termina no final de maio, quase início de junho. Durante o ano, além das férias de verão, que vão de junho a setembro, existem dois intervalos de duas semanas, um no Natal e outro em março, chamado de Spring Break. 
1º Semestre - Agosto / Setembro a Dezembro / Janeiro
2º Semestre - Janeiro a Maio / Junho

Inglaterra
Ano letivo Começa no início de setembro e termina no início de julho. Durante o ano, além das férias de verão, que vão de julho a setembro, existem dois intervalos de aproximadamente três semanas, um no Natal e outro na Páscoa.
1º Termo - Setembro a Dezembro
2º Termo - Janeiro a Março
3º Termo - Abril a Julho

Nova Zelândia
Ano letivo É equivalente ao brasileiro, com início no final de janeiro e término no início de dezembro, porém o ano letivo é dividido em quatro termos. 
1º Termo - Janeiro a Abril
2º Termo - Abril / Maio a Junho / Julho
3º Termo - Julho a Setembro
4º Termo - Outubro a Novembro / Dezembro


Fonte: Carolina Botelho - http://guiadoestudante.abril.com.br

17 de fev. de 2011

Lista de professores de Eldorado do Carajás selecionados para o Parfor

 

Secretaria de Estado de Educação do Pará divulgou, semana passada, a lista de docentes da educação básica selecionados para o Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor). Trata-se da quarta etapa do plano, para a qual as instituições públicas de ensino superior ofertaram 5.590 vagas no Estado em 22 licenciaturas oferecidas em Belém e em 49 municípios do interior.

Até o dia 31 de janeiro, ocorreram as validações das inscrições na Plataforma Freire. As secretarias estaduais e municipais de educação foram as responsáveis pelo processo. Em seguida, elas enviaram as listas dos professores escolhidos às instituições de educação superior (IES) de cada estado e cada IES possui seu próprio calendário e processo de seleção. Abaixo os professores selecionados:

PLANO DE FORMAÇÃO DOCENTE DO ESTADO DO PARÁ – PARFOR

SELECIONADOS 1° SEMESTRE DE 2011

NOME

CURSO

INSTITUIÇÃO

POLO

EDNALDO ALVES DE SOUZA

ED. FÍSICA

UEPA

PARAUAPEBAS

GLAUCIA BETANIA S. DO CARMO

LETRAS

EAD

UFPA

PARAUAPEBAS

JUNIOR OLIVEIRA RODRIGUES

LETRAS

EAD

UFPA

PARAUAPEBAS

MARIA DELIA SOUSA MACEDO

ED. FÍSICA

UEPA

PARAUAPEBAS

ZULEIDE ALMEIDA MORENO

LETRAS

EAD

UFPA

PARAUAPEBAS

ANTONIO JACINTO FERREIRA

LÍNGUA PORTUGUESA

UEPA

MARABÁ

JOVENAL MEIRA DE ALMEIDA

MATEMÁTICA

UEPA

MARABÁ

MARIA DE FATIMA GOMES MAGALHAES

PEDAGOGIA

UFPA

MARABÁ

No Pará, não há vestibular, é preciso apenas que o professor esteja atuando em sala de aula. Os cursos têm a duração de três anos e meio a quatro anos e acontecem aos finais de semana, no período em que os professores estão de recesso das suas atividades na escola. Ao final da graduação, os alunos receberão o diploma de curso superior. Dessa forma, estarão aptos a desenvolver novas experiências pedagógicas e a formar melhor os estudantes do País. Os cursos são ministrados por professores universitários, convidados para irem até os municípios executar o projeto pedagógico criado para cada curso.
Entre as vagas ofertadas no estado para o primeiro semestre de 2011, a Universidade Federal do Pará (UFPA) é responsável por 2.120; a Universidade do Estado do Pará (Uepa), por 1.000; a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), por 720 vagas, e o Instituto Federal do Pará (IFPA), por 1.750. As licenciaturas ofertadas são: em ciências naturais; dança; teatro; artes visuais; música; ciências biológicas; ciências da religião; química; computação; educação física; filosofia; física; geografia; história; língua espanhola; língua inglesa; língua portuguesa; matemática; pedagogia; sociologia; educação no campo e licenciatura integrada em educação, ciências e matemática.
O Parfor tem o objetivo de capacitar 40 mil professores do Pará que não têm formação exigida em lei. Há professores ministrando aulas de disciplina diferente da de sua formação, ou mesmo sem o diploma de graduação.


Fonte: Assessoria de Imprensa da Capes

16 de fev. de 2011

15 de fev. de 2011

Segunda etapa do Censo Escolar começou dia 1º de fevereiro


A partir de 1º de fevereiro, todas as escolas de educação básica do País começaram a informar ao Censo Escolar o movimento (transferência e reingresso) e o rendimento (aprovação ou reprovação) de cada um de seus alunos no final do ano letivo de 2010. Este levantamento faz parte da segunda etapa da coleta de dados iniciada no ano passado e reunirá informações de 194.939 escolas.

O lançamento das informações deverá ser feito pelas escolas até 11 de março no módulo “Situação do aluno”, que se encontra na página eletrônica do Educacenso, no endereço eletrônico www.educacenso.inep.gov.br.
O Educacenso funciona como uma espécie “radiografia do sistema educacional brasileiro”, concentrando dados individualizados de cada estudante, professor, turma e escola de todo o país, tanto das redes públicas (federal, estaduais e municipais) quanto da rede privada.
“Estes dados são fundamentais para termos conhecimento do rendimento escolar dos estudantes da educação básica, para o acompanhamento das metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), e para o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – indicadores importantes para balizar ações na melhoria do ensino brasileiro,” afirma a diretora do Departamento de Planejamento (Deplan) da Secretaria Estadual da Educação (SEC), Doloris Ocampos.
O Censo Escolar da educação básica coleta as informações tendo como referência a última quarta-feira do mês de maio. Neste ano, os dados serão divulgados na página eletrônica do Inep, no dia 14 de março. Desse dia até 31 do mesmo mês, o sistema será reaberto para que as escolas procedam às necessárias retificações. A divulgação final está prevista para o dia 12 de abril.
Fonte: Portal do Inep.

7 de fev. de 2011

Primeira prova nacional para professores será em 2012, diz Haddad


Em entrevista ao iG, ministro indicado por Lula diz que Dilma não escolheria ninguém que não quisesse e fala sobre o futuro do MEC

Fernando Haddad está há sete anos no Ministério da Educação, cinco como ministro: "sou exceção"

Bacharel em direito, com mestrado em economia e doutorado em filosofia, Haddad está à frente do ministério desde julho de 2005. Antes, em 2004, havia sido secretário-executivo do então ministro Tarso Genro. Aos poucos, ganhou a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seu perfil técnico e exigente (segundo confirmam funcionários da pasta). Em inúmeros eventos públicos, Lula fez questão de tecer elogios à atuação do ministro e garantir que as melhorias no ensino foram possíveis por conta do estilo Haddad de gerenciar.
Mesmo em momentos difíceis como na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2009, quando uma prova foi roubada, e na edição deste ano da avaliação, em que houve problemas gráficos nas provas, Lula saiu em defesa do pupilo. Em despeito às críticas, reclamações e especulações sobre a permanência de Haddad no cargo, Lula defendeu e aconselhou a presidenta eleita Dilma Rousseff a mantê-lo no Ministério da Educação. Para ele, Dilma não “aceitou” seu nome, mas o escolheu.
Para o novo período, Haddad diz que Dilma pediu atenção especial à valorização e a melhorias na carreira dos professores. No início do ano, o ministro apresentará uma proposta que, para ele, deve mexer com o valor, o papel e a remuneração dos professores. Um documento com as características consideradas essenciais para um bom professor. Essa matriz servirá para a elaboração de uma prova nacional de concurso de ingresso na carreira docente. A primeira edição deve ocorrer no primeiro trimestre de 2012.
Em entrevista ao iG, Haddad disse que aguarda o aval dos técnicos para a aplicação de duas edições do Enem no ano que vem. Garantiu que não tem expectativas políticas para depois do governo Dilma e que não pretende ficar pouco tempo na pasta. “Não sinto isso como necessidade (candidaturas políticas depois)”, afirmou. “Eu opero por projeto, não por calendário”, disse.


Confira os trechos da entrevista:

iG: Quando o senhor assumiu o ministério quais eram seus objetivos?
Fernando Haddad: Eu tenho a felicidade de, em março de 2007, ter anunciado o Plano de Desenvolvimento da Educação na presença do presidente Lula e disse como a educação estaria ao final de seu governo. Se recuperar minha apresentação, você verá que nós cumprimos rigorosamente o que pactuamos com a sociedade. Houve processo forte de expansão e interiorização da rede federal para recuperar o papel da rede para o desenvolvimento social do País. Na educação básica, a centralidade que a qualidade ganhou com um sistema de avaliação por escola, divulgação dos resultados com transparência, fixação e cumprimento das metas. Tudo isso está feito.

iG: E quais são os planos do senhor para os próximos anos?
Haddad: A presidenta Dilma incorporou ao seu discurso a ideia de que temos de atuar da creche à universidade. Pode parecer uma obviedade, mas nem sempre foi assim. A política de foco e fragmentada prevalecia sobre uma visão abrangente e sistêmica. Espero que isso seja mantido. Entendo que há três questões a serem priorizadas. A primeira é a educação infantil, porque nunca houve uma atenção do MEC em relação à qualidade da oferta, só à quantidade. O segundo é a diversificação do ensino médio, que precisa se integrar com o trabalho, a cultura e o desporto. Na perspectiva da escola de tempo integral, a integração com essas áreas é essencial para oferecer perspectivas múltiplas de atendimento ao jovem. A escola não precisa ser padrão para ser excelente. Ele pode ter excelência e ser diversa, ser múltipla.


iG: A presidente eleita fez algum pedido especial para a sua gestão à frente do ministério? 
Haddad: A questão do magistério está muito presente no discurso dela e na conversa dela comigo. Acredito que a mudança dos currículos é importante e está em curso, mas o ritmo deveria ser acelerado. Tomamos duas providências importantes e pouco discutidas. A primeira é que não é pouca coisa um país federativo fixar um piso nacional para a categoria na constituição, como fizemos. Em segundo, a União assumiu a responsabilidade pela formação gratuita dos professores, seja no Fies, na modalidade que o professor que trabalha em escola pública não paga o financiamento, seja nas universidades públicas. Isso precisa ser mais explorado. O calendário eleitoral impediu a divulgação disso. No ano que vem, queremos fazer uma forte publicidade para que os professores e os jovens que queiram ser professores tomem conhecimento que eles têm à formação.

iG: Com essas iniciativas, o senhor acredita que serão suficientes para mudar a imagem que a carreira tem entre os jovens? 
Haddad: Vamos anunciar no começo do ano a matriz de uma prova nacional de concurso para a carreira docente. Trabalhamos durante mais de dois anos nisso. Mandamos equipes para oito países no mundo para sabermos como funciona o processo de formação e de seleção de professores nesses países e concluímos que precisamos ter uma prova nacional de concurso para ingresso na carreira docente que sinalize o que se espera de um bom professor. A prova será aplicada a quem se interessar e, depois, os gestores poderão abrir editais para selecionar os docentes com as notas dessa prova. Queremos que os prefeitos e os governadores possam oferecer boas condições de carreira para atrair os melhores profissionais do Brasil. O prefeito tem pouco estímulo para reestruturar a carreira. Estamos dando as condições de eles mudarem o sistema de ensino. Essa prova vai incidir sobre as condições de carreira.



Haddad: professores serão prioridade durante governo Dilma
iG: O senhor acredita que ela vai influenciar também os cursos de graduação?
Haddad: Vai rebater na formação, evidentemente, a partir do momento que você define uma matriz que diz quais os conhecimentos que um professor deve ter. As provas têm esse fim. Os países com alto desempenho nos exames internacionais têm um excelente processo de ingresso à carreira e nós não temos isso. O estágio probatório é um expediente pouco explorado no Brasil, ao contrário do que deveria ocorrer. No caso do docente, isso é essencial. Muitas vezes você tem conhecimentos teóricos, mas a atividade exige vocação específica para o exercício da profissão. Tem um programa de incentivo à docência que está dando muito certo. Durante a licenciatura, o estudante, o professor universitário e o da escola que o recebe como estagiário recebem bolsas. A instituição formadora e a escola pública interagem na formação desse licenciando.Os resultados são extraordinários.

iG: A partir de quando a prova nacional vai funcionar?
Haddad: A matriz será colocar em discussão do comitê de governança no início do ano, que vai aprovar a matriz de conhecimentos que serão exigidos na prova. A partir daí, começaremos a elaboração dos itens e queremos aplicar a primeira edição no primeiro trimestre de 2012.

iG: O senhor acredita que, com isso, os melhores alunos serão atraídos para o magistério?
Haddad: É um processo. Estou surpreso com os depoimentos que recebo do programa de iniciação à docência. Ele está quebrando paradigmas. A interiorização das universidades também vai mexer nisso. As possibilidades para os jovens que querem exercer a profissão serão ampliadas.

iG: O novo Plano Nacional de Educação, que será discutido no Congresso em 2011, trouxe metas antigas e ainda difíceis de serem superadas pelo País, como o analfabetismo. É possível erradicá-lo? Seria preciso adotar algum tipo de incentivo financeiro para isso?
Haddad: Estamos falando de pessoas com idade média de 55 anos. É uma dívida que temos com a população que não teve oportunidade educacional na idade correta, mas realmente é uma tarefa muito complexa. Essa população está dispersa pelo território, mora no campo, tem idade avançada e problemas de visão. O esforço terá de ser combinado com ações fora as do MEC, mas tenho dúvidas sobre esse tipo de incentivo. A dificuldade esbarra em obstáculos que, muitas vezes, são instransponíveis para o indivíduo. Se não tivermos uma combinação de políticas, não dará certo. Mas estou confiante de que, em 2015, vamos reduzir a taxa para 6,7% em 2015.

iG: Olhando para trás, o senhor se arrepende de alguma decisão que tomou em relação ao Enem? Acredita que deveria ter esperado o banco de itens ser ampliado para lançar duas ou mais edições em um mesmo ano e evitar dores de cabeça? 
Haddad: Eu não vejo esses episódios com o grau de dramaticidade que a imprensa costuma reportar. Tivemos um episódio de falta de segurança em uma gráfica, que é a maior do País. O MEC adiou a prova para fazê-la com segurança e corrigiu um problema do setor privado. O episódio deste ano, de abrangência muito menor, com outra gráfica, que é uma multinacional com faturamento de US$ 20 bilhões no mundo, foi um equívoco causado por excesso de segurança. O procedimento que atrapalhou o controle de qualidade dos lotes foi a impressão das provas sem que o operador da máquina visse o que estava sendo impresso. O setor corrigiu um erro do setor privado novamente. Erros poderão acontecer em uma prova de escala como essa. Estamos em uma construção e essas gráficas vão se preparar melhor. Quanto mais concorrentes tivermos, melhor para contratação do poder público.

iG: No ano que vem já teremos duas edições do Enem?
Haddad: Falta uma reunião com os parceiros para que eles atestem a capacidade técnica de realizar duas edições. Em caso positivo, a decisão política está tomada. Se eles derem sinal verde, teremos duas edições. Quanto mais edições melhor.

iG: Nesses dois momentos, as críticas foram tão grandes e houve muita gente dizendo que o senhor não continuaria no ministério. O que o senhor sentiu?
Haddad: Fiquei um mês sem ler jornal, assistir TV e ouvir rádio. O que eu fazia era ligar no telefone 0800 do MEC, que recebe as reclamações. Perguntava como estavam as coisas e me diziam que não estava calmo. Então pensei, vamos resolver. O Brasil real está conectado pelo telefone com o Ministério da Educação. Então eu me desliguei do resto. Com o Brasil real, a questão era contornável.

iG: Podemos esperar outro Plano de Desenvolvimento da Educação para o ano que vem?
Haddad: Esse foi o nome que demos para o Plano Plurianual da Educação, que no ano que vem terá de ser refeito. O Plano Nacional da Educação terá de ser traduzido nos planos plurianuais da União, de Estados e de municípios.



Haddad sobre tempo no governo Dilma: "opero por projeto, não por calendário"
iG: O presidente Lula pediu à Dilma que o senhor ficasse no ministério. O senhor se sentiu constrangido em algum momento, pensando se ela queria realmente que ficasse?
Haddad: Conhecendo a presidenta como eu conheço, eu convivo com ela há cinco anos, posso te garantir que uma coisa é ouvir a opinião, e ela fez questão de frisar que a opinião do presidente conta e pesa, mas eu tenho certeza de que a presidenta Dilma não tomou nenhuma decisão por constrangimento. Sobretudo no meu caso. Eu estou há sete anos no MEC, cinco e meio como ministro e eu já me programava para voltar para São Paulo.

iG: Os críticos dizem, em relação aos ministérios compostos por Dilma, que as escolhas foram feitas para pouco tempo. O senhor pretende ficar os quatro anos?
Haddad: Eu não entendo que as coisas funcionem assim.Em primeiro lugar, mudança ministerial é a coisa mais corriqueira do mundo em qualquer governo. Quantos ministros da Educação completaram um único mandato? Quatro, antes de mim. Eu estou no terceiro. Já estou na conta da exceção. Eu opero por projeto e não por calendário. O que está em pauta e qual o tempo de maturação do projeto é a dinâmica do governo que vai determinar.

iG: E o senhor esperava ter recebido mais apoio do PT para a sua permanência no cargo?
Haddad: Eu acompanhei isso pelos jornais. Isso nunca aparecia de maneira clara. Os comentários eram sempre anônimos e é muito difícil especular sobre essa questão. Não chegou ao meu conhecimento uma objeção de alguém, com nome e sobrenome. Isso não aconteceu em 2006, nem agora.

iG: O senhor foi cogitado para concorrer ao governo de São Paulo, não foi? Desistiu? O senhor não tem interesse nesse caminho?
Haddad: Foi mais especulação. Não fiz nenhum movimento para isso. Minha atenção nunca ficou voltada para isso. Nunca raciocinei nessas bases. Estou reiniciando um trabalho e acredito que a educação é um pouco incompatível com eleição. Particularmente, não acho uma combinação feliz. Não sinto isso como necessidade.


Como valorizar o professor


Para melhorar o ensino, é necessário que docentes tenham curiosidade intelectual e tenham as condições adequadas para exercê-la

Volta às aulas e o governo federal começa o ano com um Plano Nacional de Educação (PNE) que tem como eixo central a valorização do professor. Em vários Estados e municípios aparecem propostas de reformulação de planos de cargos e salários dos docentes. Em alguns lugares ganham força as propostas de condicionar benefícios financeiros a metas e/ou resultados. Mesmo concordando que algumas dessas propostas são extremamente polêmicas e pouco contribuem para a melhoria da qualidade da educação no Brasil fica evidente que elas mostram que o papel do professor ganha mais espaço na agenda de debates da sociedade brasileira.


Nossos professores realmente são mal remunerados. Ganham, em média, 60% a menos que outros profissionais com o mesmo nível de escolaridade. Muitos administradores púbicos ainda tratam o professorado como uma espécie de "vocação missionária", quase religiosa, que exige sacrifícios. Os mais velhos talvez lembrem da frase "professor não é mal pago, é mal casado". Já foi atribuída a vários políticos, apesar de todos a repelirem, mas é a representação desta forma de tratar o professor.